segunda-feira, 13 de julho de 2009

Alvorecer

O conservadorismo me obriga a fugir das mudanças. Não gosto de arrumar as coisas que não voltarão ao lugar que estiveram primeiro. A mudança da casa da minha mãe para a minha tem sido lenta.
Todos os fins de semana levo um pouco de mim sem sentir. Sempre que volto sinto meu quarto mais vazio. Menos livros, menos filmes, menos roupa, menos sapatos. Já sinto falta das coisas que não estão no lugar. Eu não estou mais. As novas correspondências já não chegam no mesmo endereço.
Sempre eles. Os costumes do mundo moderno. Sempre. Os costumes do mundo moderno que eu não me acostumo. Acordar primeiro. Fritar os ovos. Esquentar os pães. Abrir as janelas e deixar o sol fazer dia naquelas paredes que ainda não estão citricamente coloridas. Sempre ele. O costume. O costume que nos faz entregar os dias ao tempo.
Acordo cedo. Não espero o elevador. Dois andares. Escada. Degrau. Degrau. Degraus. Tenho que sair caminhando. Os vizinhos diferentes. A cor do céu diferente. As casas. As árvores. Os pássaros. As crianças. Nada. Absolutamente nada é igual. Nem o ar.
Caminho lentamente. O movimento dos carros. A preguiça dos jovens voltando da farra. A disposição dos velhos cumprindo as promessas. Posso ouvir a voz de Osvaldo Montenegro cantando Sem Mandamentos "eu vou fazer seresta na sua calçada, eu vou fazer misérias no seu coração..." amo esta música. É exatamente assim que o dia faz.Panificadora
Alvorada. Como a música de Cartola. Chegou iluminando o meu dia.
Fez-se alegria!
Alvorada. Pelo caminho da direita. Na esquina. De frente para o Alvorecer.
Bom. Dia.

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