terça-feira, 29 de junho de 2010

Prefiro os Pássaros

Tenho que perder essa mania de achar que vivi tudo que escrevo. E, de principalmente usar o backspace e fugir do que deveria escrever na verdade. Tenho mais é que controlar o que eu sinto do que tentar controlar essa fuga do que eu tenho medo de sentir.

Como se eu pudesse evitar os meus pensamentos e esse jeito de sentar numa mesa para tomar um vinho e me apaixonar de repente como se a paixão fosse a única coisa necessária para que eu tenha pulso e coragem de viver amanhã.

A casa está quente como o meu corpo. Tenho vivido grandes dias. Tenho aprendido eternidades nas madrugadas. Tudo é muito inquieto e estranho. O meu porteiro, que sempre foram os pássaros do viveiro que enfeita a área da casa da minha mãe, hoje é um cara estranho, chego em casa às 5h da manhã e ele me olha fazendo acusações estúpidas com o olhar. Mal sabe ele da minha capacidade de ler retinas. Bobo.

Aliás, os pássaros do viveiro lá de casa são os mesmos há quase dois anos, por mais que eu viaje e passe meses fora, eles são os mesmos quando eu volto. O porteiro, não. Passei uma hora no shopping da esquina e quando voltei já era outro. Sorri sozinha e ele deve ter concluído que eu sou “doida”. E sou. E desconfio de quem não seja.

Um comentário:

Anônimo disse...

Larissa Gabrielle,
Saudades do rosto iluminado. Lembro do viveiro. Lembro do seu jeito desafinado de assobiar. Tenho saudades de Mossoró só por você.
Beijos, Guria.
Marcelo.